O Falso Evangelho do Século XXI

Não é novidade para ninguém o fato de que vivemos em uma época marcada pelo imediatismo e utilitarismo, caracterizados por uma sociedade absolutamente materialista, que busca incessantemente o prazer pleno e total, ignorando completamente a necessidade do próximo, através de atitudes estritamente egoístas.
Tal fato não é de se admirar, pois, os valores do ser humano estão – cada vez mais – centrados e limitados à matéria, a tudo que os olhos podem ver, a tudo que os dedos podem tocar e apalpar. O que nos admira, porém, é que tantos que se dizem “cristãos”, estejam vivendo segundo a mesma filosofia, os mesmos valores e anseios que regem e dominam uma sociedade iníqua, desprovida de luz, insípida, sem sal, sem sabor e sem qualquer lampejo de esperança e vida eternas.
Este mal, comumente, permeia não apenas o rebanho, como também sua liderança, que, aliás, ao invés de combater este câncer, tem, muitas vezes, incentivado e incendiado no povo o desejo pelo que é efêmero, apregoando a mentira deslavada de que Deus nos chama para sermos servidos e termos toda sorte de regalias, ao contrário da Palavra Eterna, que nos ensina a “andar como Ele (Cristo) andou”, e ainda afirma que o Mestre veio não para ser servido, mas para servir.
O que se observa, na prática, é a negação explícita dos valores do evangelho de Jesus Cristo, que ensinou: “Não ajunteis tesouros na terra...” (Mt 6:19), e ainda: “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mt 16:26). De fato, no evangelho do século XXI, ensina-se que Cristo veio trazer o céu à terra, e que, sendo filho de Deus, você jamais terá problemas, será rico e não sofrerá com qualquer enfermidade, uma vez que basta “determinar”, e tudo acontecerá conforme a sua (sua mesmo, não de Deus!) vontade.
Tal pregação, além de diretamente antagônica a de Cristo e dos apóstolos, é, sobretudo, ridiculamente irracional, insana e maligna (seus anseios casam-se perfeitamente com os de um mundo capitalista, mas, nada têm em comum com um Reino de abnegação e de amor). Irracional, porque qualquer um pode perceber que, após anos de pregação exacerbada de tanta prosperidade, a esmagadora maioria dos membros de tais igrejas continua pobre. Insana, porque desvia o foco do discípulo de Cristo, que deveria estar na eternidade, para as picuinhas efêmeras desta vida terrena. E, por fim, maligna, por priorizar o que Satanás valoriza (riquezas, glória e poder), em detrimento do que Deus valoriza (um coração quebrantado e contrito).
Joézer Herrerias Valvassori
Igreja do Evangelho Pleno em Umuarama – PR
